Sei que é melhor ser mulher hoje que no passado. Nós podemos escolher. Primeiro não existia escolha alguma além do casamento, convento, ou ficar à mercê de alguma parenta velha e servir-lhe de empregada para o resto da vida. Destas todas acho que melhor era ser esposa, e rezar para arrumar um marido de bom caráter. E se o marido fosse um horror, era melhor rezar no convento... Ah, claro, também tinha a prostituição, mas essa carreira já é curta hoje com plástica e tudo, imagine antes?
Depois veio a libertação, e a mulher foi trabalhar, por necessidade ou escolha. Hoje temos mulheres de carreira, que escolhem não ter filhos. Temos mulheres donas de casa, que escolhem não trabalhar fora. Eu considero o trabalho de mãe e dona de casa uma coisa de muito valor. Também acho importante aquela que assume o desejo de não ser mãe. Mas sei que escolhas radicais de vida envolvem mais riscos de arrependimento futuro.
Talvez por esse medo do arrepender-se lá na frente é que a maior parte de nós acabe sendo mãe e trabalhando ao mesmo tempo. Ou quem sabe simplesmente fazemos tudo por necessidade? Acho que ter filho e trabalho fora é uma coisa muito doida, mas teoricamente somos multitarefa e damos conta, certo? Sei lá, damos conta porque queremos ou simplesmente porque ainda não tivemos idéia melhor?
Tem dias que eu quero ficar em casa fazendo bolo, arrumando armário... Mas aí eu penso: “Credo! E se um dia não tenho mais marido? E se me frustrar e depois ficar velha demais para o mercado? E o casamento, como eu vou saber por que estamos juntos depois de um tempo? E se meu marido perde o emprego?”. Não, não dá...
Quando estou muito envolvida num projeto profissional eu penso que talvez me realizasse trabalhando mais. Daí chega a hora de buscar meu filho na escola e ele me abraça e me beija e quer tanto minha companhia... A professora conta um problema em sala e me alivio de estar lá presente, participando, resolvendo. Então a única coisa que penso é em ficar com ele, como é a coisa mais linda do mundo e eu adoraria ter ainda outros dois, ou duas. Mas para ter outro filho eu precisaria ao mesmo ganhar mais e ter mais tempo para cuidar de criança? Nó na cabeça...
Atualmente faço um horário reduzido de trabalho, profissional liberal. Não tenho mãe, ninguém para ajudar com filho, além do marido que trabalha doze horas por dia. Babá é um espetáculo, adoro a minha! Escola também. Mas substituto de mãe é parente e os meus estão todos ocupados com seus próprios trabalhos. Já tentei período estendido na escola, babá, eu trabalhando mais, foi um desastre. A criança fica carente, confusa, nervosa e voluntariosa.
Dou aula faz tempo, e todo tipo de família passa por mim através das crianças. Faz mais de dez anos que olho o resultado da criação dos outros. E gente, alguém pode se ofender com isso, mas criança que fica demais na escola ou com babá, tem sempre aquele olhar de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança. Serve tia, serve avó, serve avô... Mas serviço contratado é criança semi-abandonada (ela se sente, emocionalmente).
Filho devia ser só pra quem realmente deseja e pode. No mundo ideal, dos meus sonhos, toda criança sentiria amor verdadeiro, cuidado e proteção. E toda mãe poderia escolher o que quer de verdade, sem precisar preocupar com comida no prato, ou com homem irresponsável que separa da criança quando separa da mãe. E na minha fantasia idílica, mãe que desejasse carreira tinha direito a avó de plantão.
Como diz meu pai, “se é pra querer, então quero tudo”, e eu quero tudo! E do jeito que der vou me arrumando.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Mulher Multitarefa
Sei que é melhor ser mulher hoje que no passado. Nós podemos escolher. Primeiro não existia escolha alguma além do casamento, convento, ou ficar à mercê de alguma parenta velha e servir-lhe de empregada para o resto da vida. Destas todas acho que melhor era ser esposa, e rezar para arrumar um marido de bom caráter. E se o marido fosse um horror, era melhor rezar no convento... Ah, claro, também tinha a prostituição, mas essa carreira já é curta hoje com plástica e tudo, imagine antes?
Depois veio a libertação, e a mulher foi trabalhar, por necessidade ou escolha. Hoje temos mulheres de carreira, que escolhem não ter filhos. Temos mulheres donas de casa, que escolhem não trabalhar fora. Eu considero o trabalho de mãe e dona de casa uma coisa de muito valor. Também acho importante aquela que assume o desejo de não ser mãe. Mas sei que escolhas radicais de vida envolvem mais riscos de arrependimento futuro.
Talvez por esse medo do arrepender-se lá na frente é que a maior parte de nós acabe sendo mãe e trabalhando ao mesmo tempo. Ou quem sabe simplesmente fazemos tudo por necessidade? Acho que ter filho e trabalho fora é uma coisa muito doida, mas teoricamente somos multitarefa e damos conta, certo? Sei lá, damos conta porque queremos ou simplesmente porque ainda não tivemos idéia melhor?
Tem dias que eu quero ficar em casa fazendo bolo, arrumando armário... Mas aí eu penso: “Credo! E se um dia não tenho mais marido? E se me frustrar e depois ficar velha demais para o mercado? E o casamento, como eu vou saber por que estamos juntos depois de um tempo? E se meu marido perde o emprego?”. Não, não dá...
Quando estou muito envolvida num projeto profissional eu penso que talvez me realizasse trabalhando mais. Daí chega a hora de buscar meu filho na escola e ele me abraça e me beija e quer tanto minha companhia... A professora conta um problema em sala e me alivio de estar lá presente, participando, resolvendo. Então a única coisa que penso é em ficar com ele, como é a coisa mais linda do mundo e eu adoraria ter ainda outros dois, ou duas. Mas para ter outro filho eu precisaria ao mesmo ganhar mais e ter mais tempo para cuidar de criança? Nó na cabeça...
Atualmente faço um horário reduzido de trabalho, profissional liberal. Não tenho mãe, ninguém para ajudar com filho, além do marido que trabalha doze horas por dia. Babá é um espetáculo, adoro a minha! Escola também. Mas substituto de mãe é parente e os meus estão todos ocupados com seus próprios trabalhos. Já tentei período estendido na escola, babá, eu trabalhando mais, foi um desastre. A criança fica carente, confusa, nervosa e voluntariosa.
Dou aula faz tempo, e todo tipo de família passa por mim através das crianças. Faz mais de dez anos que olho o resultado da criação dos outros. E gente, alguém pode se ofender com isso, mas criança que fica demais na escola ou com babá, tem sempre aquele olhar de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança. Serve tia, serve avó, serve avô... Mas serviço contratado é criança semi-abandonada (ela se sente, emocionalmente).
Filho devia ser só pra quem realmente deseja e pode. No mundo ideal, dos meus sonhos, toda criança sentiria amor verdadeiro, cuidado e proteção. E toda mãe poderia escolher o que quer de verdade, sem precisar preocupar com comida no prato, ou com homem irresponsável que separa da criança quando separa da mãe. E na minha fantasia idílica, mãe que desejasse carreira tinha direito a avó de plantão.
Como diz meu pai, “se é pra querer, então quero tudo”, e eu quero tudo! E do jeito que der vou me arrumando.
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1 comentários:
Marthinha minha querida... é isso mesmo. As escolhas são sempre assim, ganha aqui, perde ali.
Adoro ler vc, sempre.
Bjs com amor.
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